Mais de 2,6 mil entidades empresariais assinam carta contra o fim da escala 6x1 e defendem jornada flexível

Publicado em 12 de junho de 2026

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Uma coalizão formada por mais de 2,6 mil entidades empresariais entregou ao Senado Federal uma carta aberta contrária à proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6x1. O documento reúne representantes da indústria, comércio, agronegócio, transporte e serviços e pede aos parlamentares que priorizem a análise da chamada PEC do Trabalho Flexível, apresentada como alternativa à redução da jornada aprovada pela Câmara dos Deputados.

O movimento ocorre em meio ao avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelece duas folgas remuneradas a cada cinco dias trabalhados e limita a jornada diária a oito horas após um período de transição. O texto aguarda análise do Senado.

 

O que diz a carta das entidades

No manifesto, as organizações afirmam que a adoção de uma regra única para todos os setores da economia pode comprometer a competitividade das empresas, elevar custos operacionais e dificultar a manutenção de empregos formais em segmentos que dependem de jornadas contínuas, como comércio, transporte, turismo e serviços.

Os signatários defendem que eventuais mudanças nas jornadas de trabalho ocorram por meio de negociação entre empregadores e trabalhadores, respeitando as particularidades de cada atividade econômica. Segundo as entidades, a flexibilização permitiria maior adaptação às necessidades das empresas e dos profissionais, sem impor um modelo único para todos os setores.

Entre os apoiadores do documento estão importantes entidades do setor produtivo, como a Confederação Nacional da Indústria, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, a Confederação Nacional do Transporte e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

 

O que prevê a PEC do fim da escala 6x1

A proposta que tramita no Congresso altera o modelo atualmente permitido pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), reduzindo gradualmente a jornada máxima semanal de trabalho para 40 horas e ampliando os períodos de descanso dos trabalhadores. A medida tem sido defendida por parlamentares e entidades sindicais como forma de melhorar a qualidade de vida, reduzir o desgaste físico e mental e promover maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Por outro lado, representantes do setor empresarial afirmam que a mudança pode gerar aumento de custos, necessidade de contratação adicional de mão de obra e impactos sobre preços de produtos e serviços, especialmente para micro e pequenas empresas.

 

PEC do Trabalho Flexível surge como contraproposta

A carta entregue ao Senado apoia a PEC nº 12/2026, conhecida como "PEC do Trabalho Flexível". A proposta prevê maior autonomia para que trabalhadores e empregadores definam jornadas por meio de acordos, preservando os direitos previstos na legislação trabalhista. Os defensores da medida argumentam que o modelo oferece mais liberdade de negociação e melhor adaptação às diferentes realidades econômicas do país.

 

Debate deve se intensificar no Senado

A mobilização empresarial amplia a pressão sobre os senadores em um dos temas trabalhistas mais debatidos de 2026. Enquanto entidades patronais defendem flexibilidade e negociação, centrais sindicais reforçam a campanha pelo fim da escala 6x1, alegando ganhos para a saúde, o bem-estar e a produtividade dos trabalhadores.

Com posições divergentes e forte mobilização de ambos os lados, a expectativa é de que o debate sobre a jornada de trabalho permaneça entre as principais pautas econômicas e trabalhistas do Congresso nos próximos meses.

Fonte: Contábeis

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